o amor é esta chama lenta
que nos atravessa
como se a pele fosse um campo antigo
onde a luz aprende a cair
tocas-me
e o mundo abre uma fenda
por onde o silêncio respira
até se tornar carne
há um tremor que nasce
no lugar onde o teu nome pousa
um rumor de água
que insiste em sobreviver
mesmo quando tudo seca
somos dois corpos feridos
que se reconhecem no escuro
como se a dor fosse bússola
e o desejo
uma forma de cura
e quando te encosto ao peito
sinto que o tempo se dobra
num gesto sem rosto
onde o amor
finalmente
se deixa sangrar
BL
28.02.26
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