sábado, 28 de fevereiro de 2026

corpo-ferida

 




o amor é esta chama lenta
que nos atravessa
como se a pele fosse um campo antigo
onde a luz aprende a cair


tocas-me
e o mundo abre uma fenda
por onde o silêncio respira
até se tornar carne


há um tremor que nasce
no lugar onde o teu nome pousa
um rumor de água
que insiste em sobreviver
mesmo quando tudo seca


somos dois corpos feridos
que se reconhecem no escuro
como se a dor fosse bússola
e o desejo
uma forma de cura


e quando te encosto ao peito
sinto que o tempo se dobra
num gesto sem rosto
onde o amor
finalmente
se deixa sangrar





BL

28.02.26




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